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Quando visitei a Bienal de Veneza (54ª. Exposição Internacional de Arte), ouvi mais risos que a dose habitual em exposições de arte. E eram risos soltos, abertos, de quem estava realmente se divertindo; nada dos sarcásticos, costumeiramente ouvidos nestes ambientes, como enigmáticas e desalentadas críticas pairando no ar.

Li concomitantemente Não há silêncio que não termine, de Ingrid Betancourt, e Confissões, de Santo Agostinho.

Comecei pelo relato de Betancourt, seus sete anos de cativeiro na selva, refém das FARCs. Narrativa de sofrimento intenso, li-a com vagar, entremeando pausas nas quais a mente, fatigada de tantos horrores, buscava alívio em texto menos doído.

São duas histórias de libertação.               

Li o Teoria geral dos contratos empresariais, de Paula Forgioni.

A amiga Paula escreveu o livro que precisava ser escrito sobre o assunto.

Li o Histoire critique des monopoles – une perspective juridique et économique, de Calixto Salomão Filho.

O livro fala de dificuldades, sugeridas como um tanto intransponíveis; e de como o direito deve ajustar-se em face delas.

 

Assisti ao Três solos e um dueto, com Mikhail Baryshnikov e Ana Laguna.

Ele está sexagenário; ela, cinquentenária. No espetáculo, nos quatro números, recorre o tema “amadurecimento”, eufemismo para o tempo das limitações crescentes.

Li The Idea of justice, de Amartya Sen.

O livro é do economista indiano, ganhador do prêmio Nobel, que, vez por outra, transita pela filosofia política. Uma leitura realmente proveitosa, que há tempo não tinha.

 

É mesmo como dizem – a casa em que viveu a criança fica menor quando o adulto a conhece.

Num sábado chuvoso, completamente inesperado, revisitei a casa no Itaim‑Bibi (São Paulo) em que morei, com pais e irmãos, até me formar na faculdade.

 

Li o “Vivre plus lentment – un nouvel art de vie”, de Pascale d’Erm, com belíssimas fotografias de Elie Jorand (Editora Ulmer).

A história de como conheci este livro vale a pena ser contada. Começa quando, em julho passado, Mônica e eu estávamos em Orvieto, na Itália.

 

Foi lançado “Por que punir? – a teoria geral da pena”, livro de Tatiana Viggiani Bicudo.

A questão discutida nesta obra interessa não somente aos acadêmicos (e, entre estes, não apenas aos juristas), mas a todos que se preocupam com o sentido (e eficácia) do direito penal na sociedade contemporânea. De um lado, a democracia só consegue conviver com a noção de pena com caráter re-educativo; mas não vemos muitos criminosos re-educados por aí.

 

Na Itália, fui conhecer o novo museu de arte, o MAXXI – Museo Nacionale delle arti del XXI secolo.

A aguardada inauguração do MAXXI, em 30 de maio último, representou, sem dúvida, o maior evento das artes visuais nos últimos anos. Desconfio que o lugar se tornará minha visita obrigatória, sempre que estiver em Roma.